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Grêmio vence Atlético-MG por 3 a 1 e larga em vantagem na final

Tricolor pode perder por um gol que levanta a taça de campeão da Copa do Brasil.

Foto: Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação

Foto: Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação

Mais 90 minutos. Agora é segurar a ansiedade, controlar o nervosismo. O Grêmio foi cerebral, cirúrgico na noite desta quarta, no Mineirão. Analisou, esperou o momento para dar o bote, e tal, como uma serpente: atacou. A vítima, o Atlético-MG, paralisado, viu o Grêmio vencer por 3 a 1 e deixar o Mineirão, com mais de 50 mil pagantes, com uma grande vantagem para o decisivo confronto, dia 30, na Arena. O Tricolor pode perder que ergue a taça. Autor de dois gols, Pedro Rocha acabou prejudicando o time ao ser expulso no segundo tempo por falta violenta. Ele havia recebido o primeiro cartão amarelo quando tirou a camisa na comemoração do segundo gol. Na descida para o vestiário, chorava copiosamente. Com um atleta a menos, o Grêmio acabou cedendo espaço e foi assim que o Atlético-MG encontrou o seu gol. Mas, nos acréscimos, Geromel puxou contra-ataque ainda no campo defensivo e lançou Everton, que se jogou na bola e decretou o 3 a 1.

O Atlético-MG, empurrado pela torcida, tentou encurralar o Grêmio. O Tricolor, consciente, não entrou no jogo e ficou bem postado, sem dar espaços. Só na espreita, só pelo contragolpe. E essa foi a tônica do primeiro tempo. O Grêmio, com a bola (quem a tem não perde jogo), trocava passes ora em velocidade ora cadenciando. Geromel,  Kannemann, seguros, protegiam o gol como dobermans treinados. Robinho pouco fez, Pratto ficou escondido.

Aos 4 minutos, Luan recebeu de Pedro Rocha. O atacante olhou, escolheu o canto e bateu forte. Passou perto. A torcida atleticana pressentia o pior. Vaivava o Grêmio. O Galo só tentava em chutes de longa distância. A grande chance foi aos 22, com Robinho. Marcelo Oliveira destoou do time. Nervoso, errava até o domínio da bola e foi assim que a bola sobrou para Maicosuel que serviu Robinho, livre, dentro da área. Ele acabou isolando. Aos 22, Douglas fez Victor esticar todos os músculos do braço e da mão. A bola ia no cantinho. Aos 29, enfim, o grito de gol do Grêmio ecoou no Mineirão. Pedro Rocha, lançado por Maicon, entortou Gabriel e chutou na saída de Victor: um belo gol.

Um time que almeja ser campeão tem que ter um grande goleiro. O Grêmio tem. Numa defesa de puro reflexo, Grohe espalmou o chute à queima-roupa de Junior Urso, que recebeu livre na marca do pênalti. Na segunda etapa, aos 27, catou um cruzamento dentro da pequena área. A bola sobrava para o atacante Lucas Pratto.

Aos 41 minutos, o zagueiro Gabriel salvou o Galo. Pedro Rocha recebeu passe preciso do capitão Maicon. Ele pensou rápido e tocou por cobertura. Victor foi encoberto, mas o defensor atleticano correu e chegou a tempo de tirar em cima da linha. Dois minutos depois, Luan é quem desperdiçou. Chutou de dentro da área, forte, mas a bola explodiu na defesa. Já nos acréscimos, num contra-ataque em velocidade na troca de passes, Pedro Rocha, cara a cara com o goleiro, fez o mais difícil: perdeu o gol.

Na segunda etapa, o Atlético-MG foi para o ataque sem organização. Pagou caro. Aos 9 minutos, Pedro Rocha arrancou como um tanque para dentro da defesa atleticana. Foi derrubando um a um até colocar no contrapé de Victor: 2 a 0. Um golaço. Mais uma vez, a torcida do Grêmio, festejava lá e em cada canto do planeta. Depois disso, o Galo foi para o abafa. Mais atrapalhado ainda. Sem troca de passes, tentava o chutão para Pratto e Robinho. O Grêmio fez de tudo para fechar a casinha. Mas aos 36, num escanteio, a zaga deu bobeira, e Gabriel, num chute forte tirou do alcance de Marcelo Grohe: 2 a 1. Mais pressão. Mais bola aérea. Aí, de novo, Geromel e Kannemann apareceram com brilho. Tanto é que aos 45 Geromel arrancou do campo defensivo e foi avançando até o cruzamento para Everton deslocar Victor, anotar o terceiro gol gremista e ter, de novo, uma festa azul, preta e branca nas arquibancadas do Mineirão.

Há no futebol momentos que são pura poesia: o gol é um deles. Nesta noite Pedro Rocha foi o melhor poeta. Anotou dois gols numa final. Éverton foi o poeta breve: gol nos acréscimos. Além disso, o Tricolor possui atletas que jogam um futebol de prosa: consistência defensiva, triangulações: Geromel, Kannemann, Maicon, Douglas e Walace.

Quarta-feira que vem serão mais de 55 mil vozes dentro da Arena, transformada pela primeira vez no palco de uma decisão. Serão milhões de  tricolores espalhados pelo Estado, Brasil e pelo mundo. Todos com um só pensamento: Queremos a Copa. Afinal, com o Grêmio onde o Grêmio estiver. O Grêmio joga pela sua história, pela sua torcida para voltar a colher os louros da vitória: a consagração e soltar o grito de campeão.

Ficha técnica

Atlético-MG 1

Victor; Carlos César, Gabriel, Erazo, Fábio Santos; L. Donizete, Júnior Urso, Cazares (Marcos Rocha),

Maicosuel (Clayton), Robinho (Hyuri); Lucas Pratto

Técnico: Marcelo Oliveira

Grêmio 3

Marcelo Grohe; Edílson, Geromel, Kannemann, Marcelo Oliveira; Walace, Maicon, Ramiro (Jaílson), Douglas

(Everton), Pedro Rocha; Luan

Técnico: Renato Portaluppi

Árbitro: Péricles Cortez (PE).

Local: Mineirão

Público: 50.586 pagantes.

Renda: R$ 4.082.175,00

Gols: Pedro Rocha (2) e Everton (G) e Gabriel (A).

 

Correio do Povo

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