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Polícia desarticula esquema com 50 empresas de fachada que aplicavam golpes milionários no RS

Somente de janeiro a julho deste ano, a fraude contra o comércio e a receptação de cargas roubadas superam R$ 2 milhões

Foto: Ronaldo Bernardi / Divulgação

Foto: Ronaldo Bernardi / Divulgação

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realiza, na manhã desta terça-feira, dia 19, uma grande operação em 11 cidades gaúchas para desarticular um esquema envolvendo cerca de 50 empresas de fachada criadas para dar golpes milionários no comércio de todo o país. Em apenas seis meses de investigação, a fraude inicial supera R$ 2 milhões. Mais de 250 policiais cumprem 34 mandados de prisão, cinco de condução coercitiva e 14 de busca. Entre os alvos, estão empresários, “laranjas” e três contadores. Ao menos 13 pessoas já foram presas.

A Operação Antares Fase II é uma continuidade de uma investigação que começou no final do ano passado, após a descoberta de um depósito, em Cachoeirinha, de uma empresa de fachada em nome de uma pessoa que havia sido presa em Arroio dos Ratos.

Esta ação levou os policiais a realizar a operação Antares Fase I no final de janeiro deste ano no litoral norte do Estado, quando dois depósitos foram alvo de ação policial em Capão da Canoa. Nos locais, a polícia apreendeu produtos adquiridos de empresas vítimas, que somavam aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Em seguida, a Delegacia de Roubo de Cargas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) deu sequência à investigação envolvendo fraudes mercantis e receptação de cargas roubadas.

“Araras”

O delegado Gustavo Rocha, um dos responsáveis pela apuração, atualmente na Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal (Dipac) do Deic, diz que o esquema tinha um integrante responsável por ir na Junta Comercial do Estado para alterar o contrato social de empresas que não estavam sendo utilizadas para realizar compras no comércio de todo o país. São as chamadas “araras”.

Os criminosos montavam empresas de distribuição de produtos diversos em nome de terceiros, faziam compras com fornecedores e empréstimos bancários. As primeiras compras eram pagas em dinheiro em uma única só vez para ganhar credibilidade no comércio.

Depois disso, os golpistas faziam compras milionárias a prazo e não quitavam os débitos. As vítimas não conseguiam mais localizar os suspeitos e as empresas duravam pelo menos seis meses. Enquanto umas eram fechadas, outras eram reabertas por meio de contadores, mas sempre com outros sócios e com outro tipo de finalidade. Estes vendiam seus dados para a quadrilha ou, então, eram utilizados documentos falsos.

Grande parte das negociações fraudulentas foi feita via internet e, na maioria das vezes, foram adquiridos gêneros alimentícios, materiais de construção e peças automotivas.

“O prejuízo inicial é superior a R$ 2 milhões, mas a investigação está no início e ainda precisamos contabilizar mais operações fraudulentas. Os responsáveis pelas empresas chegavam a se indicar entre si para ter credibilidade no mercado – isso no início, até aplicarem o golpe e sumirem do mercado, reabrindo futuramente outras empresas, às vezes as mesmas, mas com outra razão social” diz Rocha.

Receptação 

Para multiplicar o lucro, o delegado Alexandre Fleck, também responsável pela investigação, diz que os produtos adquiridos com as compras fraudulentas eram revendidos aos poucos no comércio.

Segundo ele, uma forma de legalizar os produtos roubados era a utilização de notas fiscais das chamadas “araras”. Caso a empresa fosse fechada rapidamente, antes de seis meses, os produtos do depósito, que ainda não tivessem sido revendidos, eram repassados para uma nova empresa de fachada.

Uma outra forma de multiplicar o lucro e legalizar produtos roubados era a compra direta de produtos com origem em ataques a caminhões e distribuidoras ou até a encomenda feita de ladrões de cargas, que chegavam aos depósitos das empresas investigadas para serem revendidos no comércio por meio de notas fiscais.

Fleck e Rocha dizem que só conseguiram identificar este esquema porque cada uma das cerca de 50 empresas tinha quase sempre os mesmos contadores e uma mantinha contato com a outra, envolvendo sempre o mesmo grupo de golpistas.

Operação 

Estão sendo cumpridos 14 mandados de prisão preventiva contra empresários e funcionários das chamadas “araras”, 20 mandados de prisão temporária, neste caso contra laranjas e contadores, e mais cinco de condução coercitiva, também envolvendo laranjas e contadores.

As prisões, conduções e os 14 mandados de busca ocorrem em Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Cachoeirinha, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Parobé, Taquara, Farroupilha, Rolante e Capão da Canoa.

As cerca de 50 empresas “araras” são de várias cidades gaúchas — ainda nesta terça-feira, no dia da operação, 5% delas seguiam funcionando e as empresas vítimas são de vários estados do Brasil. Os crimes apurados são estelionato, organização criminosa, uso de documentos falsos e receptação de produtos roubados.

 

Rádio Gaúcha

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