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Um ano e meio após confirmar o primeiro óbito por Covid-19, RS tem 34,7 mil vítimas fatais

Neste período, apenas a cidade de Novo Tiradentes não registrou mortes por conta da doença

Agência Brasil/divulgação

Um ano e meio após a confirmação da primeira morte por conta do novo coronavírus, a pandemia de Covid-19 já tirou a vida de 34.728 habitantes no Rio Grande do Sul. Desde 24 de setembro de 2020, quando o ex-prefeito Nelson Marchezan Júnior informou, em uma rede social, o falecimento uma idosa de 91 anos, que estava na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Moinhos de Vento, o Estado observou a disseminação da doença em todas as regiões, provocando mortes em 496 dos 497 municípios gaúchos.

Dezoito meses após o primeiro óbito no RS, apenas Novo Tiradentes, localizado na região Norte, não registra mortes por Covid-19. Conforme dados do Painel Coronavírus da Secretaria Estadual da Saúde (SES), de março a agosto do ano passado, o número de mortes por Covid-19 apresentou crescimento exponencial nesse período, passando de quatro óbitos registrados em março para 1.604 em agosto. O avanço da doença atingiu o ápice no primeiro semestre deste ano, quando foram registrados 22.615 mortes em decorrência da doença, o equivalente a 65,12% de todos os óbitos confirmados no Estado até 24 de setembro.

Março deste ano ainda é o mês mais letal da pandemia, com 8.440 vítimas fatais, seguido de abril deste ano, com 4.523 mortes por conta da doença. Desde o início da epidemia, 1.432.114 casos já foram confirmados no RS. Após atingir o pico em março, o número de mortes por Covid-19 no RS está em queda pelo sexto mês seguido. De acordo com a SES, Porto Alegre contabiliza o maior número de óbitos: 5.588. Canoas é a segunda cidade com maior número de mortes no Estado, com 1.626 óbitos, seguida de Caxias do Sul, com 1.327, e Pelotas, com 1.116.

Máscaras e restrições ajudaram a conter a disseminação do vírus 

Na avaliação do infectologista Luciano Werle Lunardi, que trabalha no Hospital Cristo Redentor, administrado pelo do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), o período mais complicado da pandemia ocorreu entre março e abril. “Em uma semana epidemiológica tivemos 2,2 mil óbitos no RS. Agora estamos observando uma diminuição de óbitos até o final de agosto, confirmando uma redução importante do número de óbitos e casos confirmados para a doença”, assinala. Conforme Lunardi, medidas não farmacológicas como uso de máscaras e restrição de movimentação da população aliadas à vacinação ajudaram a conter a disseminação do vírus.

Apesar da diminuição dos casos, o especialista faz um alerta. “Percebemos nos últimos tempos, principalmente em agosto, a presença da variante Delta. Na última semana, 38% das amostras sequenciadas foram para a variante Delta. A gente ainda vai ter o surgimento de algumas variantes novas e necessidade de reforço da vacinação”, observa, reforçando a necessidade da população, mesmo com ciclo vacinal completo, seguir utilizando máscaras de proteção e na medida do possível manter distanciamento social. A falta de ‘uma coordenação central’ para facilitar a vacinação é apontada como um dos problemas no enfrentamento da pandemia.

“A gente tem uma boa rede de vacinação no Brasil, com ampla rede de distribuição das vacinas, principalmente na rede pública. A gente sabe que os postos de saúde conseguem vacinar grande parte da população. Na medida que se disponibilizou a vacina, a população aderiu à vacinação. Talvez tenha faltado coordenação central nesse sentido”, destaca. Mesmo com a aplicação do imunizante em bom ritmo no país, Lunardi é cauteloso ao avaliar o cenário da doença no Brasil. “Se passamos pelo pior momento? É uma previsão bastante difícil de fazer. A gente tem percebido queda importante do número de casos de óbitos. Ainda está havendo surtos localizados, principalmente em instituições de saúde”, frisa.

Cuidados 

Mais do que o avanço da vacinação, Lunardi afirma que é importante manter os cuidados no dia a dia para evitar o surgimento de novas variantes, como uso de máscaras em transportes públicos. “O principal foco das vacinas é impedir casos graves e óbitos. A gente tem visto uma diminuição importante, mas ainda pode ocorrer transmissão, as pessoas podem pegar a doença. Pessoas públicas adquiriram a doença”, critica. “É preciso manter os cuidados mesmo entre os vacinados, pois isso vai ajudar a conter a transmissão do vírus e chegar mais cedo no final da pandemia”, completa.

Ao lembrar dos desafios enfrentados pelo sistema de saúde da Capital no primeiro semestre deste ano, o secretário municipal da Saúde, Mauro Sparta, afirma que o pior momento da pandemia foi no dia 25 de março, quando os leitos de UTI tinham mais de 800 pacientes com diagnóstico de Covid-19. “Foi o dia mais agudo, o dia 25, com mais internações. Eram 870 pessoas na UTI com Covid-19, e Porto Alegre tinha pouco mais de 1 mil leitos. Era uma doença só, e aquele período foi extremamente agudo”, relembra.

De acordo com dados da SES, até 24 de setembro, a Capital totaliza 5.588 mortes em decorrência da Covid-19. Março também foi o mês mais letal em Porto Alegre, com 1.437 vítimas fatais. “Tivemos nesses 18 meses um enfrentamento muito grande, foi um desafio para o planeta, não foi só pra agente. Enfrentamos uma doença que era nova, que não tinha tratamento adequado no início. Profissionais de saúde do mundo inteiro tiveram que estudar e se reeducar no sentido de enfrentar a doença”, avalia.

Sparta destaca que o pior momento foi de fevereiro a abril deste ano, com aumento do contágio e de mortes por conta do novo coronavírus. “Nesse período, começou a vacinação, que começou em 19 de janeiro em Porto Alegre. Em março a vacinação era para pessoas com 75 anos. Ainda tinha muita gente por vacinar e também não tinha vacina suficiente, chegava e ia direto pro braço das pessoas”, lembra, garantindo que a doença está contida na Capital. “Cerca de 93% da população vacinável já tomou a primeira dose. E 64% já tomaram a segunda”, completa. Na avaliação de Sparta, a vacinação poderia ter sido implantada no país mais cedo. “Quanto antes começasse a vacinar mais efetivo seria”, destaca.

Um ano e meio após o primeiro óbito, o secretário elogia o trabalho dos profissionais de saúde, que trabalharam sem parar durante a pandemia. “Reverencio as equipes de saúde que trabalharam direto, sábado, domingo e feriado. Foi um esforço muito grande porque a doença estava impactando demais naquele período, causando pânico. Quando chegavam as vacinas os drives-thrus ficavam lotados, as pessoas chegavam antes para formar fila. Foi um estresse tremendo”, assinala.

Mortes no RS (dados publicados até 24 setembro)

MARÇO 2020: 4
ABRIL 2020: 60
MAIO 2020: 182
JUNHO 2020: 440
JULHO 2020: 1.392
AGOSTO 2020: 1.604
SETEMBRO 2020: 1.280
OUTUBRO 2020: 998
NOVEMBRO 2020: 1.165
DEZEMBRO 2020: 2.107
JANEIRO 2021: 1.771
FEVEREIRO 2021: 2.047
MARÇO 2021: 8.439
ABRIL 2021: 4.523
MAIO 2021: 2.955
JUNHO 2021: 2.879
JULHO 2021: 1.679
AGOSTO 2021: 776
SETEMBRO 2021: 425
Total: 34.728

Correio do Povo

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