Giro do Vale / Coluna do Chimarrão

A família Bolsonaro tirou o dia para atacar a cultura popular: primeiro o pai, o presidente Jair Bolsonaro, atacou o Carnaval com um vídeo repleto de obscenidades; seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), atacou Estação Primeira de Mangueira, escola campeã do Carnaval no Rio de Janeiro este ano e uma das mais tradicionais escolas do país.

“Dizem que a Mangueira, escola de samba campeã do carnaval e que homenageou Marielle, tem o presidente preso, envolvimento com tráfico, bicheiros e milícias. Esse país está de cabeça pra baixo mesmo”, disse o vereador em seu Twitter.

Agora, sobre as investigações que apuram o envolvimento do seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) com a milícia no Rio, Carlos não fala nada. Flavio e seu assessor Fabrício Queiroz são investigados por movimentações financeiras com milicianos. Além disso, o gabinete do irmão de Carlos tinha como funcionária a esposa e mãe de um miliciano procurado pela polícia.

A Mangueira homenageou Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em 14 de março de 2018. De acordo com a investigação, milicianos são os principais suspeitos.

O presidente Jair Bolsonaro ouviu nessa 4ª, dia 6, de auxiliares próximos a avaliação de que a postagem em sua conta no Twitter de um vídeo no qual dois homens aparecem em atos obscenos no carnaval foi considerada “inapropriada” e “chocante”. A repercussão causou desconforto no núcleo central do governo. A polêmica publicação do presidente gerou críticas entre seus opositores e mesmo entre os apoiadores nas redes sociais. O Palácio do Planalto precisou divulgar uma nota no início da noite para explicar a atitude de Bolsonaro.

Uma pesquisa de monitoramento diário das mídias sociais encomendada pela Secretaria de Comunicação (Secom) e apresentada a Bolsonaro indicou que, no início da tarde, 69% das mensagens sobre o episódio eram negativas. Na avaliação de ministros e auxiliares ouvidos pelo Estado, as imagens provocaram uma reação “virulenta” especialmente do “público interno”, como são classificados os seguidores do presidente nas redes sociais. Diversas publicações estrangeiras repercutiram o tuíte do presidente.

Em pouco mais de dois meses de governo, Bolsonaro tem utilizado o Twitter como principal meio de comunicação com a população. Na plataforma, porém, o presidente fez poucas menções a assuntos classificados como prioridade de sua gestão. A reforma da Previdência foi tema de apenas cinco mensagens desde o início do ano, – o equivalente a menos de 1% das postagens na rede social.

A maior parcela de comentários são textos com teor ideológico em que o presidente critica o globalismo, a suposta partidarização da educação e ações dos governos petistas e da esquerda. O pacote anticrime foi tratado em duas mensagens, e a reforma tributária, em apenas uma.

Durante o carnaval, Bolsonaro fez 29 postagens no Twitter. Na 3ª, dia 5, ele publicou o vídeo polêmico – dois foliões de um bloco em São Paulo praticam o fetiche chamado “golden shower” (“chuva dourada”, que envolve o ato de urinar no parceiro ou na parceira). “Temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades”, escreveu. “É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro.” Na quarta-feira, Bolsonaro voltou ao tema, ao perguntar qual era o significado de “golden shower”.

Na nota divulgada nessa quarta-feira, o Planalto afirma que as cenas do vídeo escandalizaram não só o presidente, mas grande parte da sociedade. “É um crime, tipificado na legislação brasileira, que violenta os valores familiares e as tradições culturais do carnaval”, destacou. “Não houve intenção de criticar o carnaval de forma genérica, mas, sim, caracterizar uma distorção clara do espírito momesco.”

No Palácio, no entanto, o episódio foi considerado um “constrangimento imensurável”, conforme um dos militares do governo. O próprio presidente se impressionou com a reação negativa. O clima de desconforto só foi atenuado no fim do dia, quando nova parcial de análise mostrou que o porcentual crítico ao tuíte caiu para menos da metade.

Entre assessores, contudo, a expectativa é de que a insatisfação e crítica dos próprios apoiadores de Bolsonaro levem o presidente e seus filhos a “caírem na real” sobre os perigos de postagens “inconsequentes”.

Analistas de diferentes áreas ouvidos pelo Estado afirmaram que a conduta constitui “quebra de decoro social” porque “não corresponde à liturgia do cargo” e pode ter reflexos na imagem do País no exterior e na aprovação das reformas para que a economia volte a crescer.

O professor de Relações Internacionais da FGV Oliver Stuenkel relatou que a divulgação do vídeo causou “perplexidade” em diplomatas e investidores internacionais e que a mensagem foi interpretada como “sinal de que o governo está com problemas”. “A percepção foi de que isso faz parte da estratégia do governo em função da dificuldade que ele está tendo em relação aos projetos relevantes, como a reforma da Previdência e o projeto anticrime.”

Para o chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Samuel Pessôa, a postagem é “mais um episódio na série de trapalhadas do governo” que podem “dificultar” a aprovação de reformas necessárias para a retomada da economia brasileira.

O professor de comunicação digital da Escola de Comunicação e Artes da USP Luli Radfahrer apontou uma “desmontagem do ritual do cargo”. “Ele não fala ali no Twitter da Previdência, que é a bandeira maior que ele tem, o seu grande trunfo. Tem também o exemplo da reunião dos ministros em que ele estava com chinelo e camiseta pirata de time de futebol.”

Minha opinião, o Brasil depositou confiança e esperança em um nome que veio para mudar a situação do nosso país, mas antes de mais nada é necessário que ele e especialmente familiares, mudem sua postura no discurso. É isso!

Reflita: Se querer é poder, querer é vencer. (Rui Barbosa)

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