Giro do Vale / Cotidiano

Marielle Franco: porque tamanha comoção?

 O Brasil e o mundo acompanharam, no mês passado, uma onda gigantesca de protestos pedindo justiça em relação ao assassinato da vereadora Marielle Franco, além de inúmeras homenagens e mensagens de apoio nas redes sociais. Em seguida também vieram os ataques e duras críticas, com a divulgação de falsas informações sobre sua vida pessoal e trajetória profissional. Em tom de deboche e ironia, muitos questionaram o porquê de tamanha comoção em relação à morte de Marielle, já que tantos outros brasileiros são assassinados diariamente, e ninguém faz estardalhaço. Pois bem, a pergunta todos entendem, já a resposta a maioria não quer compreender.

Sim, diariamente acontecem inúmeros assassinatos, sem hora, sem lugar, que mira adultos, crianças, mata sonhos, projetos de vida, e impede, tragicamente, o futuro de muita gente. E realmente não vemos manifestações diárias na proporção que o caso de Marielle tomou. Em nenhum momento, de todo noticiário que acompanhei, se quis discutir a importância de uma ou outra morte, da vereadora em comparação ao motorista, do patrão em relação ao funcionário, de uma figura pública em relação a uma pessoa anônima. A população fez isso de forma equivocada. Não é essa a questão. Precisamos olhar para algo muito maior. Não se trata, jamais, de menosprezar a tragédia de cada brasileiro assassinado. Se trata do que Marielle representou àqueles que confiaram em seu trabalho e se viram apoiados por alguém que poderia lutar por suas causas. O assassinato de Marielle foi uma afronta à luta de muitos brasileiros, foi uma forma suja de políticos corruptos imporem medo a quem não se cala, foi um ato absurdamente covarde de silenciar a voz de uma mulher que gritava por muitos, sem medo, com bravura, tentando fazer valer os direitos básicos de cada cidadão, já conquistados há muito tempo. Muito diferente de apenas discursar, ela agia.

Marielle era mãe, negra, homossexual, nascida e criada na favela. Também socióloga, mestra em administração pública. Uma mulher que, justamente pela sua história, deve ter passado pela exclusão em muitos lugares, mas ela estava determinada a lutar. E foi eleita com mais de 46.000 votos no RJ. Você percebe o tamanho do significado dessa mulher para todos aqueles que se identificavam com ela? Você tem noção de quantas pessoas se sentiam representadas e amparadas pela luta de Marielle? A questão é simples, ela era espelho de muitos e o caminho para tantos outros. Não é todo dia que você vê um vereador dar a cara a tapa como ela fazia. Muito menos arriscar sua vida. Ela militava pelo espaço da mulher, pelo fim da violência na favela, pelo fim da discriminação, ela lutava por justiça à minoria e não se calava ao sistema. E, acima de tudo, ela brigava pelos Direitos Humanos de todos nós. Infelizmente tem gente que acha que Direitos Humanos é sinônimo de defesa ao bandido.  Só que esqueceram o que realmente importava. Esqueceram de quantos milhares de brasileiros também foram atingidos pela tragédia, de quantas mulheres foram caladas por aqueles disparos, quantas pessoas em grupos minoritários nessa sociedade tiveram seu porta voz morto e enterrado. Não foi mimimi, foi o protesto de quem tinha um legítimo representante de seus anseios e dificuldades. E, diga-se de passagem, que honrava o papel que lhe cabia.

Para quem não percebeu, o tamanho da manifestação foi proporcional ao tamanho da representação e sentido que ela tinha na vida de tantas pessoas. Muita coisa foi ferida com aquela morte, que não à toa também alertou a mídia internacional. Uma nação inteira foi intimidada. Você aceita isso? Se você parar pra pensar bem, toda aquela comoção só aconteceu porque ainda tem alguma coisa que move a população de bem. Seria esperança?

Comentários

  1. Anônimo disse:

    Perfeito….

  2. Anônimo disse:

    Parabéns!

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