Giro do Vale / Cotidiano

 

Suicídio: que tal esclarecermos alguns mitos? 

Já nos últimos dias de setembro, mas ainda em tempo, é muito pertinente que o tema desse artigo seja justamente o que tanto debatemos e divulgamos nesse mês, o suicídio. O “Setembro Amarelo” é uma campanha que nasceu da necessidade mais que urgente de falarmos sobre o suicídio, afim de alertar acerca da dimensão do problema, além de conscientizar para a prevenção do comportamento suicida. Embora se tenha um grande engajamento de muitas pessoas em discutir cada vez mais a respeito disso, ainda lidamos com muitos mitos e concepções equivocadas em torno dessa realidade. Se você não sabe, muitas vezes o sujeito já emocionalmente esgotado, diante da disseminação de ideias preconceituosas e julgamentos precipitados, acaba sendo impulsionado a puxar o gatilho da decisão suicida.

Para muitos, só falar em suicídio já é algo muito desagradável e perturbador. Baseado nisso, você consegue imaginar o quão triste, angustiante e desesperador deve ser para o sujeito que decide pôr fim à própria vida? Negócio difícil de imaginar. E quantas vezes você já se sentiu surpreso ao saber do suicídio de um conhecido, parente ou amigo? Surpresa porque não imaginava ou mesmo porque achava que jamais aconteceria de verdade. Justamente pensando nessas perguntas, e constatando a falta de informação e empatia de tantas pessoas, optei em fazer um breve esclarecimento de cinco mitos e verdades mais comuns sobre o suicídio.

Vamos começar por uma das ideias mais equivocadas que afirmam por aí, quem quer se matar não fica falando, vai lá e faz. Não, absolutamente não! Quem verbaliza o desejo de cometer suicídio está alertando que precisa de ajuda, mesmo que não peça explicitamente por isso. Quem pensa em se matar está em sofrimento e sem ajuda essa pessoa pode, sim, chegar as vias de fato. Ainda no sentido da afirmação acima, há quem diga que a pessoa que fala em suicídio está querendo chamar a atenção. Se você pensa isso, por favor, “despense”. A única coisa que faria sentido nessa frase é que a pessoa quer chamar a atenção para o fato de que ela não está bem, ora! Muitas pessoas ficam irritadiças ao serem abordadas sobre isso ou se esquivam propositalmente, parecendo se tratar de birra. E isso pode acontecer se ela já tentou expor a situação, mas foi ignorada ou desacreditada. Então, justamente, preste atenção!

Talvez você também já tenha visto alguém dizer coisas do tipo suicídio é coisa de rico, pobre não tem tempo para isso. Isso é uma baita besteira! Suicídio pode acontecer independente de classe social, sexo, cor, idade, e o que mais for. Não faça disso uma piada. Outro erro que as pessoas cometem é achar que depois de uma tentativa de suicídio que não deu certo, a pessoa se arrepende e melhora. Você está enganado. Uma tentativa frustrada de suicídio jamais fará uma pessoa ficar bem, a tendência é que o sujeito se sinta ainda pior por não conseguir dar fim ao seu sofrimento. Nesse caso, os familiares ou pessoas próximas devem procurar ajuda antes que a pessoa tente novamente. E por fim, o último mito que eu gostaria de esclarecer, que inclusive estampa a importância da campanha do “Setembro Amarelo”, é o fato das pessoas acharem que é melhor não perguntar se a pessoa está pensando em se matar, para evitar que ela se mate. Muito pelo contrário! Não falar não ajuda em nada, só faz com que a pessoa continue no seu sofrimento sozinha. É somente conversando que poderemos orientar a pessoa a procurar ajuda. Não tocar no assunto é deixar o sujeito à deriva. Mas se você não se sente à vontade, comente com alguém de confiança, peça ajuda, mas jamais fique silente diante dessa situação.

Suicídio é coisa séria, dê a devida importância a esse assunto. Em setembro reforçamos ainda mais a discussão de prevenção ao suicídio, mas essa campanha obviamente é de todos os dias, com todo mundo. Com a ajuda de profissionais, é possível achar uma saída. Os mitos devem ser sempre esclarecidos, e a maior verdade deve ser sempre relembrada: a vida é sempre a melhor escolha.

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