Giro do Vale / Cotidiano

Como se sentem as mães que não puderam amamentar?

Agosto começou com a Semana Mundial do Aleitamento Materno, campanha que incentiva e reforça a importância da amamentação para a saúde do bebê. Existem inúmeros estudos comprovando o benefício da amamentação, então já sabemos que o leite materno é completo e fornece ao bebê todos os nutrientes que ele necessita nos primeiros meses de vida. Por outro lado, também existem diferentes razões que impedem a mãe de amamentar, e isso me fez questionar: como essas mães se sentem diante da pressão social de ter que amamentar?

Se você acha que o uso da expressão “pressão social” ao me referir ao aleitamento materno é um exagero, vou te explicar porque não. Durante o processo de gestação e preparação para receber o bebê, é normal que a mãe idealize muitas situações, uma delas é poder nutrir seu bebê através do peito, vivenciando a experiência de alimentar seu filho com o melhor alimento que ela poderia dar. Quando, por alguma razão, seja por uma doença da mãe ou problemas de digestão por parte da criança, a mãe não puder amamentar, logo vem a frustração. Ainda podemos citar situações que por dificuldades outras, a mãe decide que não amamentará no peito. Em ambas as situações, sabemos que existe uma cobrança e pressão externa, seja da sociedade, dos familiares ou amigos, que diz que aquela mãe deveria dar conta, que ela deveria tentar mais, que ela deveria estar saudável, que ela deveria se sacrificar, que ela deveria tentar todas as possibilidades, que ela não pode desistir e que ela não pode deixar de amamentar. Aí vem o sentimento de culpa, aliado a dor, tensão, medo, tristeza e ansiedade, que podem causar sérios prejuízos emocionais à mãe e seu bebê. Então não, não é um exagero.

É verdade, sim, que a amamentação é extremamente importante para o bebê, não só fisicamente, mas psicologicamente falando, pois o contato pele a pele e olho no olho durante o mamar, proporciona momentos de afeto, carinho e cuidado que são essenciais à sobrevivência do bebê, além de estreitar os laços de afetividade que iniciaram quando ele ainda estava no útero. Porém, também é verdade, que a não amamentação não significa que o bebê não terá outra forma de receber aquilo que ele precisa. Amamentar não é o ato que provará a boa maternagem, não é, por si só, o fato que dirá que a mãe está cumprindo seu papel, assim como não amamentar não é motivo para incumbir nas mães o sentimento de irresponsabilidade. A prática do amor ao filho independe da amamentação, mesmo que ela seja tão importante, pois há outros recursos que permitirão que essa mãe se mantenha próxima e conectada ao seu bebê. Para tanto, é imprescindível que ela tenha uma rede de apoio para fortalecê-la nesse momento.

Muito se tem falado da importância de amamentar e pouco se fala das consequências e cuidados que devemos ter quando isso não acontece. Muitas mulheres ficam confusas com as informações, e mesmo com a insistência de profissionais e pessoas próximas. O que realmente garante um vínculo saudável entre mãe e bebê é um ambiente que promova o bem-estar da mãe, que estimule sua autoconfiança e amor próprio, consequentemente possibilitando que ela ofereça afeto, carinho, amor e nutrição ao seu filho, seja por aleitamento no peito ou por meio artificial. Diante de uma situação de não amamentação, por impedimento ou por decisão da mãe, é extremamente importante apoiá-la, protegê-la, aconselhá-la e encorajá-la para que tenha condições emocionais de lidar com isso. Uma mãe fragilizada e julgada pode desenvolver problemas emocionais, como a depressão pós-parto. E isso sim será prejudicial ao bebê.

Vou deixar claro que, devemos, sem sombra de dúvidas, incentivar a amamentação, dada sua importância, mas nunca fazer dela a única fonte de nutrição saudável do bebê, nem requisito para a felicidade e consolidação do vínculo mãe-bebê. Anotem para não esquecerem: a mãe ideal se adapta às necessidades do filho, não às exigências da sociedade.

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