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Gilmar Mendes desempata e chapa Dilma-Temer é absolvida pelo TSE

Quatro ministros votaram pela absolvição e três pela cassação.

Foto: Divulgação

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Por 4 votos a 3, o Superior Eleitoral absolveu a chapa Dilma-Temer de ser cassada por abuso do poder politico e econômico. O voto de Minerva (desempate) foi proferido pelo presidente do Tribunal, ministro Gilmar Mendes. Votaram pela cassação o relator, Luiz Fux e Rosa Weber. Napoleão, Tarcisio e Admar pela absolvição. Com a decisão, Michel Temer segue na Presidência da República e Dilma Rousseff não perde seus direitos políticos.

Próximo ao Palácio do Planalto, Gilmar argumentou que “não se substitui um presidente da República a toda hora, ainda que se queira”. Para ele, isso não se trata de “fricote processualístico”, mas sim do equilíbrio do mandato. “A Constituição valoriza a soberania popular, e não de acordo com a nossa vontade. A cassação de mandatos deve acontecer em situações inequívocas”, disse.

O presidente do TSE voltou a repetir que não é papel da corte resolver a crise política. Segundo Gilmar, ele disse a parlamentares que lhe procuraram nas últimas semanas, que se eles quisessem “impichar” o presidente, que fizessem pelas “vias normais”, pois o “tribunal não é instrumento para disputas políticas”.

Para Gilmar, essa não é uma ação como qualquer outra e, se os ministros não devem se colocar como “avestruzes” e “esquecer a realidade”, também não devem brincar de “aprendizes de feiticeiro”.”Estamos tratando de uma ação especial. Especialíssima quando se trata do presidente da República, que é chefe de Estado e chefe de governo”, disse.

Em mais um ataque à Procuradoria-Geral da República, ele insinuou que, se houver a cassação do mandato de Temer, a PGR pode atuar para impedir que os próximos nomes da linha sucessória assumam o cargo. “É muito fácil dizer cassa-se o mandato, declara-se a inelegibilidade de Dilma Rousseff e cassa-se o mandato de Michel Temer. Haverá a assunção pelo presidente da Câmara. E exatamente no momento seguinte a Procuradoria-Geral da República vai entrar com uma ação contra ele, no Supremo, uma denúncia, para que ele fique impedido, nesse clima que está, e nesta corrida maluca que se instalou no País, e também outra contra o presidente do Senado, dentro desses propósitos todos. E aí se diz: ‘ah, se faz uma eleição indireta em 30 dias’. É isso que se quer?”, disse.

Ao longo do julgamento, o ministro Herman Benjamin havia feito várias citações ao voto de Gilmar em um julgamento no ano de 2015 no qual houve a decisão de prosseguir com a ação hoje julgada. Segundo o relator, o entendimento do presidente do TSE na votação de 2015 deveria basear a autorização para ouvir-se delatores da Odebrecht; o que Gilmar Mendes negou agora.

Como justificativa, Gilmar disse que o objetivo em 2015 não era a cassação, apesar de ele próprio reconhecer as suas diferenças com o PT. “Nunca imaginei, nesta ação, cassar o mandato de Dilma, mas, sim, achava fundamental conhecer entranhas do sistema”, disse.

O presidente do TSE disse ainda que não pratica a “lógica de amigo e inimigo” e que, se o Judiciário começar a perseguir inimigos, “daqui a pouco todos serão inimigos”.

Gilmar, por um lado, admitiu a gravidade dos fatos narrados. “Tudo isso é deplorável, o envolvimento no sistema. O envolvimento de ministro da Fazenda em caixa de campanha é algo deplorável, algo que desestabiliza todo o sistema. A ideia de ter um crédito por conta de uma medida provisória é algo chocante. Não há palavras para se descrever tudo que se praticou”, disse.

Por outro lado, disse que não houve provas suficientes para a cassação. Ele viu fragilidade nas provas, que estaria, segundo ele, baseadas em depoimentos de delatores.

“Estou apenas concluindo que o arcabouço probatório não se revela suficientemente contundente para se chegar às severas sanções, mormente, porque as provas desses autos estão lastreadas em grande parte em testemunhas que são colaboradores premiados em outras instâncias do poder judiciário, razão pela qual devemos analisar a prova testemunhal com bastante rigor, evitando conclusões que possam futuramente ser desconsideradas pela esfera criminal, e como você sabe pode vincular as decisões dos demais ramos do poder judicial sobre o mesmo tema”, disse.

Ele disse que delatores como Delcídio Amaral, Pedro Barusco e Ricardo Pessoa não trouxeram provas.

“Enquanto o empresário Ricardo Pessoa tenha afirmado a existência do repasse de porcentual de contratos com a Petrobras, às campanhas eleitorais, ao longo dos anos, o mesmo depoente afirmou que todas as doações para a chapa Dilma-Temer quanto a chapa Aécio-Aloysio, foram feitas com a mesma origem, a conta corrente da empresa UTC. O que ao meu ver não revela com a necessária segurança e robustez que os recursos doados oficialmente e registrados na Justiça Eleitoral tenham essa origem ilícita”, disse Gilmar.

Também votaram pela absolvição os ministros Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Luiz Fux e Rosa Weber acompanharam o relator, Herman Benjamin, pela cassação da chapa.

Além disso, os magistrados entenderam que as delações de ex-executivos da Odebrecht não podem ser incluídas no julgamento porque não estavam no pedido inicial de cassação, feito pelo PSDB em 2014.

A maioria dos ministros também argumentou que as provas que restaram, como outros depoimentos de delatores da Operação Lava Jato, que também citam repasses de propina para a chapa, não são suficientes para concluir que os recursos desviados para o PT e PMDB abasteceram a campanha de 2014.

Ação

Em dezembro de 2014, as contas da campanha da então presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer, foram aprovadas com ressalvas e por unanimidade no TSE. No entanto, o processo foi reaberto porque o PSDB  entrou com uma ação na Corte por suspeitas de irregularidade nos repasses a gráficas que prestaram serviços à campanha eleitoral de Dilma e Temer. Neste ano, o relator Herman Benjamin incluiu no processo o depoimento dos delatores ligados à empreiteira Odebrecht investigados na Operação Lava Jato. Os ex-executivos relataram que fizeram repasses ilegais para a campanha

presidencial.

Defesa

A campanha de Dilma Rousseff nega qualquer irregularidade e sustenta que todo o processo de contratação das empresas e de distribuição dos produtos foi documentado e monitorado. A defesa do presidente Michel Temer diz que a campanha eleitoral do PMDB não tem relação com os pagamentos suspeitos. De acordocom os advogados, não se tem conhecimento de qualquer irregularidade no pagamento dos serviços.

 

Correio do Povo

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