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Vale do Taquari e Norte do RS podem ter regras mais duras no combate ao coronavírus

Governo do Estado ainda negocia medidas com prefeitos e setores econômicos

Foto: Divulgação

Planejado inicialmente para entrar em vigor em 1º de maio, o novo modelo de estratégia para prevenir a transmissão de coronavírus no Rio Grande do Sul pode levar alguns dias mais para sair do papel e entrar em vigor. O chamado distanciamento social controlado, com regras próprias para cada microrregião, exige ainda negociação com prefeitos e setores econômicos antes de ser finalizado e colocado em prática. 

Regiões com um alto número de casos podem ter normas mais restritivas antes mesmo da publicação do novo decreto. É o caso do Norte do RS, onde fica Passo Fundo, com 103 infectados confirmados e 11 mortes, e Marau, com 49 infectados e uma morte; e do Vale do Taquari, onde está Lajeado, que já contabiliza 56 infectados e três mortes. Individualmente, as três cidades só ficam atrás de Porto Alegre.

— Talvez não seja possível (ter as novas medidas) já para o dia 1º de maio, mas queremos ainda na primeira semana de maio. Como é algo novo, exige discussão com prefeitos, com setores, vamos amarrar tudo isso para que seja algo que efetivamente promova o engajamento da população — disse o governador Eduardo Leite em passagem por Santa Maria nesta segunda-feira, dia 27.

Entre as definições já tomadas, está a regionalização, ao máximo, do Estado, no novo modelo de distanciamento social. O Piratini trabalha com a divisão do mapa gaúcho em até 21 microrregiões — e não mais em sete ou nove, como era imaginado até a semana passada. O aumento no número de regiões permitirá que se mantenham regras mais flexíveis para o comércio em cidades que estão à média distância dos focos da doença no Estado.

— Estamos monitorando e vamos tratar, junto aos prefeitos, dentro do processo de distanciamento, de eventuais maiores restrições que sejam necessárias. Estamos em processo de migração para novo modelo de distanciamento, mas talvez nessas duas regiões (Vale do Taquari e Norte) seja necessário antecipar medidas de maior distanciamento, não aguardando até a entrada em vigor do novo modelo. Talvez, nessas duas regiões, teremos que conversar e ajustar com os prefeitos um distanciamento mais profundo e restrito — indicou Leite.

Chamado de distanciamento social controlado, o novo formato vai prever, de antemão, que regras devem ser aplicadas para cada região do Estado, conforme a ocupação de leitos e a expansão do coronavírus. Para cada nível estará associada uma cor: verde, amarela, laranja ou vermelha.

Os protocolos de funcionamento das atividades comerciais e sociais, para cada cor, ainda estão sendo finalizados. As sugestões de protocolos foram recebidas pelo governo até sexta-feira, dia 24. Foram mais de 190 propostas, encaminhadas especialmente por empresários e associações de setores econômicos.

Um ponto essencial para a definição do status de cada região é o a pesquisa que está sendo conduzida para mostrar a prevalência de coronavírus na população gaúcha. As primeiras conclusões do estudo, coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), já foram consideradas para as medidas de restrição de circulação e de funcionamento do comércio anunciadas por Leite no dia 15. Agora, o cenário é mais complexo, já que devem ser adotadas 21 regiões com diferentes graus de restrições. 

A segunda fase de aplicação de exames rápidos da pesquisa começou no sábado, dia 25, e se encerrou nesta segunda-feira, dia 27. Com base no que já foi coletado, o coordenador-geral do trabalho, o epidemiologista e reitor da UFPel, Pedro Curi Hallal, disse que a prevalência da covid-19 na população ainda é baixa. Isso não significa, no entanto, que o Estado esteja livre de viver momentos piores.

— Qualquer pesquisador honesto tem que dizer que a gente tem mais dúvidas do que certezas sobre o coronavírus. Não dá para fazer muita previsão. O que a gente já aprendeu é que a velocidade de expansão do vírus é imprevisível e rápida. Às vezes, tem um lugar que quase não tinha casos, aí o vírus chega e, em poucas semanas, estoura a capacidade do sistema de saúde — diz Hallal.

O pesquisador concorda que devido à tendência de demora da pandemia são necessárias flexibilizações, a exemplo do efeito sanfona de uma gaita, abrindo e fechando quando necessário. Mas alerta:

— Em linhas gerais, pelos dados do Estado, não me parece que seja o momento de afrouxar medidas. Os bons resultados que estamos tendo são exatamente decorrentes das medidas adotadas até aqui.

A proposta de distanciamento social controlado do governo tem como base dados científicos e busca equilibrar o cuidado com a vida e a retomada da economia. Hallal destaca que a pesquisa em andamento não tem como objetivo avaliar se o distanciamento social deve seguir ou parar, e ressalta que tais decisões são de responsabilidade dos governantes:

— O governador e os prefeitos que foram eleitos tomam as decisões. Se quiserem a opinião dos cientistas, como vários têm feito, a gente vai dar. Fui eleito reitor da UFPel e sou responsável pelas decisões na UFPel. E posso garantir que as aulas na UFPel não voltarão até o final de maio, e nem sei se voltarão em junho. Não é momento de voltar, na minha percepção. Isso é o que direi ao governador ou a qualquer outro governante que peça a minha opinião como epidemiologista nesse momento.

GaúchaZH

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