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Governo federal assina contrato com Butantan para comprar 100 milhões de doses de vacina contra o coronavírus

Segundo o ministro da Saúde, até abril, 46 milhões de doses serão disponibilizadas

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira, dia 7, que o contrato com o Instituto Butantan prevê a compra de 100 milhões de doses da vacina CoronaVac — o número equivale a todo o estoque do instituto. Mais tarde, o Butantan e o governo confirmaram que o contrato para aquisição foi assinado (confira a íntegra da nota ao final da reportagem).

Até abril, o Butantan deverá fornecer 46 milhões de doses. Outras 54 milhões chegariam até o fim do ano. O contrato foi divido em duas partes porque o ministério não tem orçamento para adquirir as 100 milhões de doses integralmente. O valor da dose é de R$ 58,20. A vacina tem 78% de eficácia contra a covid-19 e 100% de eficácia contra casos graves da doença, de acordo com o instituto.

 — Estamos hoje, na sequência da aquisição de doses com Butantan, fechando contrato que vai a 100 milhões de doses. Máximo que ele (o instituto) consegue produzir. Já tínhamos um memorando assinado desde outubro, final de setembro, nos comprometendo com aquisição da totalidade produzida — disse Pazuello.

 O ministro afirmou que só conseguiu avançar no contrato com o Butantan após a edição, na quarta-feira, dia 6, de uma medida provisória (MP) que permite a compra de vacinas mesmo antes do registro ou aval para uso emergencial ser concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Disse que toda a produção do Butantan será incorporada ao plano nacional de imunização, coordenado pelo governo federal. O governador de São Paulo, João Doria, porém, tem planos de começar a vacinação em São Paulo em 25 de janeiro. 

O ministro listou à imprensa as negociações feitas pelo governo por vacinas. A aposta do governo federal é a vacina da AstraZeneca/Oxford. A Fiocruz deve distribuir 210,4 milhões de doses a partir de fevereiro. E 2 milhões de unidades devem chegar neste mês, prontas, da índia.

Pazuello citou ainda a possibilidade de aplicar apenas uma dose da vacina de Oxford, o que não é ainda indicado por agências reguladoras. A última análise de dados desse imunizante apontou que a eficácia ficou em torno de 70% na primeira dose, subindo para 80% com a segunda aplicação. Na terça-feira, dia 5, a Fiocruz informou que cada unidade de um lote de 2 milhões de doses prontas do medicamento custará US$ 5,25 — ou seja, R$27,90. No total, o negócio será de cerca de R$ 59,4 milhões.

 Segundo o general, a fabricação na Fiocruz e do Butantan servirá ao plano nacional de imunização, mas o excedente pode ir para a iniciativa privada e exportação.

Pazuello negou ainda atraso para compra de seringas e agulhas. Disse que o pregão que conseguiu apenas 2,4% (7,9 milhões) das 331 milhões de unidades procuradas não “fracassou”. Ele afirmou que a requisição de estoques da indústria nacional, feita após o pregão fracassado, já garante “estoque regulador” para começar a vacinação. Afirmou ainda que os Estados têm estoque para imunizar 60 milhões de pessoas.

Na manhã desta quinta, foi publicada, no Diário Oficial da União, a resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex) que zera a alíquota do Imposto de Importação de seringas e agulhas temporariamente.

Cronograma

Pazuello voltou a dizer que, na melhor das hipóteses, a vacinação começaria a partir do dia 20 de janeiro. Em um prazo médio, a imunização inicia entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. E, no prazo mais longo, a partir de 10 de fevereiro.

Essa primeira etapa de vacinação seria feita com oito milhões  de vacinas:

— Seriam 2 milhões da AstraZeneca e, com o contrato assinado com o Butantan, mais 6 milhões de vacinas em janeiro. Com isso, daria para inciar, na melhor das hipóteses, a vacinação no próximo dia 20, se as autorizações forem efetivamente adquiridas — afirmou Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde do ministério.

O secretário-executivo do ministério, Elcio Franco Filho, ressaltou que, mesmo quando a vacinação começar, a população não deve abrir mão das medidas de proteção.

— Em dados geral, a gente pode dizer que só estaremos imunizados individualmente cerca de 30 dias após a segunda dose da vacina. Até lá, eu preciso tomar minhas medidas de prevenção, porque posso ser infectado e também posso transmitir a doença. Isso é muito importante, porque virá o Carnaval, mas as medidas de prevenção precisam ser mantidas — disse Franco.

Outras vacinas

Pazuello disse ainda que negocia a compra da vacina russa Sputnik V, que será fabricada pela farmacêutica brasileira União Química. Ele disse que a quantidade da compra está em discussão.

O ministro citou negociação com a Janssen, que, segundo ele, é o “melhor negócio” entre as vacinas. Isso porque o preço é baixo e a imunização exige apenas uma dose, segundo ele. Mas a farmacêutica ofereceu somente 3 milhões de doses ao país, com entrega que começaria no segundo trimestre.

Pazuello declarou ainda que negocia a compra de 30 milhões de doses da vacina da Moderna, com entrega após outubro. Cada unidade custaria US$ 37. Ele voltou a criticar a proposta da Pfizer, que exige não responder pelos efeitos colaterais registrados no País.

Ele também reclamou da quantidade de doses ofertadas, que não seria suficiente para o Rio de Janeiro. “Não posso pegar 500 mil doses da Pfizer e soltar pelo Brasil em janeiro. Para dizer que começou a vacinação, como muitos acham que é solução”, disse Pazuello.

A nota do Instituto Butantan

O Instituto Butantan informa que assinou às 16h35 desta quinta-feira, 7/1, por intermédio de sua fundação de apoio, contrato para o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus ao Ministério da Saúde, em quatro entregas, conforme arquivo anexo.

O contrato prevê a possibilidade de o órgão federal adquirir do instituto outras 54 milhões de doses, totalizando 100 milhões. 

GaúchaZH

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