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Ministro das Relações Exteriores pede demissão do cargo

Chanceler vinha sendo alvo de pressões do Senado, de opositores de Bolsonaro e de ao menos 300 diplomatas

Foto: Divulgação

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão na manhã desta segunda-feira, dia 29. A informação foi confirmada por servidores do Itamaraty. O Palácio do Planalto ainda não comentou. O chanceler vinha sendo alvo de pressões do Senado, de opositores do governo Jair Bolsonaro e de ao menos 300 diplomatas críticos à atual política externa brasileira.

Diversos setores da sociedade e parlamentares estão pressionando Bolsonaro desde a semana passada a demitir o ministro, um dos integrantes da ala considerada “ideológica” do governo. A pressão também vinha dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). 

Eles consideram que Araújo mais atrapalhou do que ajudou o país nas medidas de combate ao coronavírus. A relação tensa que mantinha com a China, principalmente, causou atrasos no envio de matéria-prima para produção de vacinas contra a covid-19.  

No domingo, dia 28, após postar acusações de que senadora Kátia Abreu (PP-TO) teria atuado em favor de interesses da China na questão do mercado de 5G, Araújo foi criticado por diversos senadores. Nesta segunda, Kátia chamou a manifestação de Araújo de “falta de equilíbrio” e atribuiu as declarações feitas por ele a “desespero”. 

A publicação de Araújo no domingo foi interpretado como um contra-ataque do ministro ao Senado, após parlamentares da Casa cobrarem publicamente sua demissão, e uma tentativa de endossar a narrativa sustentada nos bastidores por aliados do chanceler sobre qual seria o motivo de sua “fritura”: a de que, sem ele no governo, o caminho estaria livre para os asiáticos entrarem no mercado brasileiro do 5G. 

Parte da equipe de Araújo entende que o ministro virou um para-raios e sofre lobby contrário de chineses, que intensificaram o diálogo direto com o Congresso e reclamaram dele para o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Há, no entanto, uma avaliação generalizada e vocalizada de que Araújo é responsável pelo fracasso das negociações internacionais para a compra de vacinas contra a covid-19 e isso é o que tem motivado a pressão recente pela sua saída do cargo.

GaúchaZH 

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