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Brasil ultrapassa 600 mil mortes por Covid-19

Desde junho o número de mortes desacelerou, ao mesmo tempo em que a vacinação avançou

Agência Brasil/divulgação

O Brasil chegou, nesta sexta-feira, à marca de 600 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus. O acumulado, divulgado pelo Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass), ocorre em um momento de avanço na vacinação e desaceleração da crise sanitária no país, que hoje possui as menores médias móveis por semana de óbitos e infectados de 2021.

Desse total de óbitos, mais de 400 mil ocorreram apenas no primeiro semestre deste ano, o que marcou a proliferação da variante Gama, identificada primeiro em Manaus, em um cenário de escassez de vacinas e de uma campanha de imunização que seguia a passos lentos desde janeiro, quando a primeira brasileira foi vacinada.

Em 19 de junho, dia em que a contagem chegou aos 500 mil mortos, somente 30% da população havia recebido a primeira dose de uma vacina anticovid e só 11% estava completamente imunizada. De lá pra cá, quase quatro meses depois, o cenário é outro: 70% dos brasileiros têm ao menos uma dose e 45% estão com o esquema vacinal completo.

O avanço da vacinação é o que explica a desaceleração do número de mortes por Covid-19 nos últimos meses, segundo a diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Mônica Levi. A média móvel de óbitos atualmente está abaixo de 460; em junho, a estimativa era de 2.000.

“Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre a eficácia das vacinas, não tem mais como argumentar, porque está sendo uma prova concreta. Estamos com números decrescentes graças à vacinação de cerca de 2 milhões de pessoas por dia e à adesão da população à campanha”, garante.

O número de internações pela doença também caiu, segundo o Boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que indica tendência de queda das taxas de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) reservados para pacientes adultos com Covid-19 no SUS. 

A pandemia não acabou

Apesar do sucesso da campanha de vacinação no Brasil, a especialista destaca que a pandemia ainda não está controlada no país e que as medidas de proteção não farmacológicas, como o uso de máscaras e higienização das mãos com álcool gel, ainda são importantes para evitar a disseminação do vírus.

“Enquanto a população global não estiver vacinada, ainda estamos sujeitos à entrada de novas variantes e à surpresa de uma terceira onda. Então, não podemos dizer que a pandemia está acabando e que pode se descuidar. Ainda é cedo pra isso”, explica Mônica.

O recado é reforçado pelo Conass. “Temos alertado que, mais que nunca, é hora de reforçar a cooperação solidária e colegiada entre Ministério da Saúde, gestores estaduais e municipais do SUS e a sociedade. A História cobrará de todos nós a atuação que a nação brasileira espera que tenhamos, a fim de que sejam devolvidas às pessoas a normalidade sanitária e a situação de tranquilidade de que todos necessitamos”, disse a entidade em nota publicada nesta sexta-feira. No mesmo texto, pediu um debate adequado sobre o orçamento da Saúde para 2022 e a união de brasileiros no enfrentamento da crise sanitária.

A desigualdade mundial no acesso às vacinas anticovid afasta a possibilidade de um controle global da pandemia. Países como Haiti, Jamaica e Nicarágua, por exemplo, ainda não vacinaram nem 10% da população, segundo a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

Milhares de mortes evitáveis

A aposta do governo federal em remédios comprovadamente sem eficácia para o tratamento da Covid-19, somada à demora para a aquisição das vacinas, resultou em milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas, apontam as investigações da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19.

O epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), afirmou durante depoimento à comissão parlamentar que o país poderia ter evitado cerca de 400 mil mortes pela doença. Hallal coordenou inicialmente o programa financiado pelo Ministério da Saúde, que tinha como meta monitorar o avanço do novo coronavírus no Brasil, chamado Epicovid-19.

Uma investigação realizada pela CPI mostrou que o governo federal ignorou, no ano passado, pelo menos 53 e-mails de ofertas da Pfizer, o que, posteriormente, contribuiu para definir o cenário de escassez de imunizantes vivenciado pelo país no primeiro semestre de 2021, quando a variante Gama se tornou dominante, causando recordes diários de mortes e o colapso do sistema de saúde.

“Não se fez acordos no momento em que outros países fizeram. Apostou-se em uma vacina só, que foi a da AstraZeneca, enquanto todos os outros países apostaram em mais de um produto e, inclusive, alguns compraram uma quantidade de vacina muito maior do que a necessária para vacinar a população”, ressalta Mônica Levi, diretora da SBIm.

Neste sentido, a especialista destaca a experiência do país em campanhas de vacinação em massa e a boa receptividade da população às vacinas, o que coloca a falta de imunizantes como principal obstáculo para que a campanha tivesse obtido, no primeiro semestre, o mesmo sucesso de agora.

“O brasileiro, de um modo geral, gosta e acredita em vacina, nós não tivemos tantos problemas de adesão à campanha como em outros países. Então, sem dúvida, nós teríamos evitado muitas mortes se tivéssemos feito acordos e começado a aplicação assim que a Anvisa licenciasse os imunizantes. O problema foi só esse, falta da matéria bruta que é a vacina”, afirma.

Variante Delta

Ao contrário do que ocorreu em outros países pelo mundo, como Estados Unidos e Israel, o avanço da variante Delta no Brasil não causou o aumento de novos casos de Covid-19. E, apesar de já ter se tornado a dominante no país, Mônica acredita que a vacinação em massa tenha evitado que a cepa provocasse um aumento dos quadros graves da doença.

“Não estamos tendo nenhuma medida restritiva que possa colaborar com isso, as pessoas estão praticamente com a vida normal e muita gente não usa máscara. Então, se não fosse a vacinação, estaríamos, sem dúvidas, vivendo mais uma nova onda de casos e de mortes”, destaca a diretora da SBIm.

“A imunização está trazendo os resultados esperados, que é a redução desses números. E a resposta é muito rápida: um mês depois que se vacina um grupo, já é possível ver uma queda brusca do número de internações e óbitos”, conclui Mônica. 

Correio do Povo

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